Destiny (Justin Bieber) - Capítulo 8


No dia seguinte eu estava mandando um e-mail para meus pais quando percebo que ele estava em minha frente. Ah, eu ainda não conseguia compreender o porquê de ele entrar sem bater.

- O que eu disse sobre bater? - Revirei os olhos enquanto ele se aproximava. O mesmo portava uma expressão séria.

- Temos outra proposta. - Jogou uma pilha de papéis grampeados na minha mesa.

- E qual seria? - Me estiquei e peguei os papéis.

- Temos que projetar um quarto. Já nos contrataram várias vezes. Se lembra daquele casal? Sarah e Josh Robinson?

- Claro, o que eles estão planejando dessa vez? - Comecei a ler a primeira folha.

- Estão sem espaço na casa e agora estão precisando mais do que nunca porque... Sarah está esperando um bebê. - Respirou fundo e se sentou na poltrona a minha frente.

Dei uma breve observada na direção de Justin e pude perceber que ele estava um pouco nervoso. Balançava a perna o tempo todo enquanto observava o movimento de seus dedos. Suspirei e cruzei as pernas.

- E... eles precisam disso para quando?

- Está tudo escrito bem aí. - Continuou sem me olhar.

Apertei os lábios e passei os olhos no papel.

Blá, blá, blá... Sarah e Josh Robinson... Blá, blá, blá... Quarto grande... Prazo: um mês.

- Um mês? Ficaram malucos. - Ri sem humor. - Não dá para construir um quarto de vinte e seis metros quadrados em um mês, quem dirá decora-lo. - Suspirei ganhando a atenção dele. - Vou conversar com ela. - Me levantei já indo em direção à estante do local para pegar minhas pastas.

- Eu estava pensando... - Ouvi Justin ao longe. - Talvez devêssemos rejeitar.

- Rejeitar? - O olhei confusa. - Claro que não, é um trabalho bom. Por que rejeitaríamos isso?

- Você sabe... - Olhou para baixo. - Nós estamos... fazendo outros projetos, isso pode ocupar demais nosso tempo.

- Outros projetos? A maioria deles já está no fim. - O olhei estranhando.

Ele iria protestar novamente, mas apenas respirou fundo, se levantou e saiu da sala. Não me deu explicações nem nada, simplesmente deixou meu escritório. Obviamente que não entendi aquele comportamento, mas era Justin. Se eu tentasse compreender, ficaria ainda mais confusa.

No outro dia, conversamos com o casal e entramos em um acordo. O quarto seria menor, pois assim atingiríamos o prazo desejado. Mas a tarefa não tinha diminuído, porque eu e ele teríamos apenas algumas horas para fazer esse projeto. O que tem demais nisso? Bom, nada. Apenas ficaríamos até mais tarde na empresa para concluir o projeto.

- Por que você não quer ir? - Ele perguntava pela milésima vez, eu já estava irritada.

Estávamos na minha sala. Eram quase dez horas da noite e a empresa estava vazia. Provavelmente só os nossos carros estavam no estacionamento. 

- Mas que merda, eu não vou para o seu apartamento. - Movi novamente o computador.

- Não consigo entender o porquê você prefere ficar com a bunda colada nessa cadeira ao invés de terminar isso em um sofá confortável.

- Estamos trabalhando, não tomando um coquetel. - Revirei os olhos. - E essa sua frase só deixa a inocência de lado. 

- Eu sei. - Sorriu e piscou.

Revirei os olhos. De novo.

- Já terminou a planta? - Observei ele com aquele grande papel ocupando a mesa.

- Quase. - Respirou fundo. - Já terminou a pesquisa de móveis?

- Quase.

Nos calamos por um tempo, mas ele logo retomou a "conversa".

- Imagino que Josh deve estar muito satisfeito com o fato de que terão um filho. - Suspirou.

 - É, eles terão um menino lindo. - Pronunciei sem olhá-lo, e não, eu não cairia na dele. Indiretas não iriam funcionar comigo.

- Sim. Sarah disse que planejaram por anos...

- Exato, quem quer planeja. - Continuei o trabalho.

- Nem sempre, as vezes as coisas acontecem naturalmente. - Ele já estava me encarando antes, mas naquele momento, parecia que seus olhos queimavam em minha direção. 

- Terminei. - Sim, eu mudei ligeiramente de assunto. 

Percebendo isso, ele pareceu desistir.

- Faltam apenas algumas coisas, acho que vou terminar em casa. - Se espreguiçou e fez o mesmo.

- Se é assim, então eu já vou.

Me levantei arrumando e pegando minhas coisas, e devo dizer, eu estava extremamente exausta. Meu expediente havia acabado há cinco horas e eu não aguentava mais. Minha sala estava uma bagunça de papeis amaçados e sujeira de lápis, mas eu daria um jeito de organizar no dia seguinte. Sem ao menos me despedir, saí pela porta e peguei o elevador. Eu já estava me aproximando do carro quando ouvi ele me chamar.

- Ei! - Justin correu e parou ofegante próximo a mim. - Esqueceu seu celular.

- Correu tanto só para me entregar isso? Poderia me entregar amanhã. - Ri. - Mas, obrigada.

Peguei o telefone de sua mão e me virei para destrancar o carro.

- A foto ficou legal. - Falou em meio ao barulho das minhas chaves.

Paralisei. Eu havia me esquecido completamente daquilo. Ele estava falando do meu protetor de tela. Era a foto que tiramos em Paris.

- É... - Falei ainda sem me virar.

- Me fez lembrar de quando ainda estávamos juntos... - Senti ele se aproximar e o olhei de canto de olho. - Você adorava tirar fotos nossas o tempo todo. - Segurou meu braço me virando lentamente para ele.

- Na verdade... - Tentei falar, mas ele me interrompeu bruscamente com sua aproximação. Ele havia acabado de soltar meus braços, mas colocou suas mãos em minha cintura me puxando. - Olha, eu preciso ir para casa.

- Você sente a minha falta? 

Foi uma pergunta tão repentina que até demorei para responder.

- O quê? - Falei sem entender, sem contar que a proximidade exagerada dele me incomodava.

- Só me responda. Sim ou não já é o suficiente...

- Você enlouqueceu? Eu preciso descansar e você também! - Tentei me soltar, mas ele me apertou ainda mais.

- Seus olhos não sabem mentir. - Me prensou no carro.

- Justin, o que está fazendo? - Me assustei.

- Apenas aceite. - Começou a se aproximar.

Ele foi chegando ainda mais perto do meu rosto, o que me parecia impossível. Eu sabia muito bem o que aconteceria ali se eu permitisse. Não sabia o que ele queria, mas estava com medo de realmente ser o que passava em minha mente. Aquilo não estava correto, não estávamos juntos, não podíamos. Ele parecia não se importar com nosso status de relacionamento, porque apenas nos aproximava mais e mais. Eu já sentia sua respiração se fundindo com a minha, mas...

- Não! - Gritei, o empurrei e por instinto o dei um tapa no rosto.

- O que foi isso? - Me olhou confuso com a mão no local atingido.

- Nunca mais faça isso!

Entrei no carro o deixando sozinho. Minhas mãos tremiam e minha respiração estava descompassada. Liguei o carro e rapidamente me encontrei longe dali.

- Meu. Deus. - Arregalei os olhos. - Que porra... que porra foi aquela?

Justin

Assim que ela me deixou olhando para o nada no meio do estacionamento, bufei e passei as mãos pelo cabelo nervoso.

- O que deu em mim? - Perguntei a mim mesmo completamente confuso.

Eu só podia estar maluco mesmo, eu quase a beijei. Aquilo não fazia sentido algum, eu tinha pirado. Com certeza havia algo de muito errado comigo.

Voltei para a sala dela para pegar meus pertences, mas também observei coisas. Por minha percepção, ela não havia feito desenhos do quarto do pequeno Lucca, ela já havia pulado para a parte da compra dos móveis. Olhei para a gaveta de ideias dela e me aproximei. Porém por um instante, recuei. Não era certo invadir a privacidade dela. Respirei fundo, mas acabei prosseguindo.

Ao abrir, vi uma pasta preta em baixo de todas as outras. Essa me despertou curiosidade por não portar algo escrito como as outras, então diretamente a peguei. Me sentei no grande sofá ao fundo da sala e abri a pasta. Instantaneamente, vi de cara vários desenhos de projeto e me surpreendi. Aqueles não eram projetos de trabalho, não eram comuns como reformas, eram específicos e muito claros. Tão claros que fizeram o meu coração bater mais forte, eles faziam parte dos meus planos com ela. Ela estava me escutando, só não me dizia...

Depois de olhar todos detalhadamente e com carinho, tirei um deles da pasta. Claro que eu nunca deixaria pistas com um plástico sem nada, então o substituí pelo último.

Eu estava exausto, terminei a planta tarde e ainda por cima havia dormido mal. Nem parei na rua para um café, apenas fui para o trabalho.

Assim que me sentei na minha cadeira, um estagiário me avisou que eu precisava estar na sala da "Sra. Bieber", e devo dizer, gosto muito desses caras desinformados.

Assim que parei em frente a porta dela, um temor me atingiu. Me lembrei do que eu havia pego. Eu só esperava que ela não tivesse notado a falta do desenho.

Quando abri, vi a presença de um casal e me trouxe alívio. Eu não estava encrencado.

Me aproximei enquanto (Nome) mostrava um projeto.

- Estou impressionada, mas não surpresa, vocês sempre conseguem superar meus desafios. Praticamente construíram minha casa inteira... - A mulher revelou sorridente.

- Desculpem o atraso, bom dia. - Sorri, eu nem sabia que estariam aqui.

- Bom dia. - Disse o casal.

- É isso. - Ela praticamente me ignorou e continuou a falar com eles.

- Querida... - O rapaz disse como se a esposa quisesse dizer algo.

- Tudo bem, preciso pedir algo. - Nos olhou. Eu estava parado do lado de (Nome) e a mesma assentiu para que a moça continuasse. - Vocês querem ser os nossos padrinhos?

A mulher ao meu lado ficou boquiaberta e feliz enquanto eu olhava confuso para o casal. O que as pessoas têm hoje em dia que sempre nos obrigam a ficar juntos em alguma situação, e quem eram aqueles dois?

- Aceitamos! - (Nome) disse quase gritando.

O casal falou por um tempo e logo se despediram. Eu ainda estava confuso.

- Quem são aqueles dois? - Cruzei os braços, eu estava em pé.

- George e Ashley.

- Esses nomes não me são estranhos.

- Eles fizeram meu vestido de noiva.

- Ah, claro. - Me recordei. - Achei que ele era gay.

- Só porque um cara trabalha com costura não significa que não seja hétero. - Revirou os olhos.

O dia passou lentamente e os Robinson vieram ver o projeto. Eles aprovaram e começariam o trabalho logo.

Nisso, em exatos dezoito dias, a tal reforma já havia começado e lá estava eu plantado na porta do futuro quarto. Eu já havia terminado a minha parte e admito que corri contra o tempo, mas consegui.

- Ei, como está indo? - (Nome) apareceu no quarto.

- Minha missão eu já cumpri. - Cruzei os braços e sorri para ela.

- Ótimo, agora é a minha vez. - Suspirou. - Tire o seu pessoal daqui para eu poder começar.

Logo lá estava ela sozinha dentro do cômodo branco medindo paredes e andando por todos os lados.

- Ah! - Sarah entrou feliz. - Está lindo!

- Espere só para ver como irá ficar. - Falei a ela.

Saímos nós dois para o jardim da frente da casa e em meio ao silêncio, Sarah falou.

- Vocês não pensavam em ter filhos? - Me olhou curiosa enquanto acariciava cuidadosamente sua barriga.

Respirei fundo e a olhei um pouco incomodado.

- Bom... na verdade, só eu pensava. E talvez esse tenha sido o maior motivo de nossa separação. 

- Não quero parecer intrometida, longe disso. Mas por que vocês não entraram em um acordo? Por que se separaram?

- Eu não queria pressioná-la, mas acho que acabei fazendo. Ela quem entrou com o pedido de divórcio e não me deu motivos, apenas me disse para procurar outra pessoa pois ela não me queria mais. 

- Meu Deus! - Ela me olhou indignada. - E qual era o seu desejo? Menino ou menina?

- Uma menina.

Ficamos em silêncio por segundos, mas logo ela retomou.

- Era o seu maior sonho, não é? - Me olhou sincera.

- Ainda é. - Sorri fraco.

Percebi que ela iria acrescentar mais algumas coisas, mas (Nome) apareceu.

- As medidas estão corretas. - (Nome) suspirou aliviada. - Vou começar as compras.

Ela estava indo em direção ao carro, mas Sarah a puxou.

- Eu estava pensando... - Falou ela envergonhada. - Justin, você não quer ir com ela?

Nome) me olhou confusa e eu apertei meus lábios. Mas que merda.

- Para que? - Perguntou confusa.

- Ahn, para ajudar. - Sarah me empurrou em cima dela. - Vai.

Mesmo contra a vontade dela, a acompanhei. Durante o caminho todo, ela não dirigiu uma só palavra a mim e muito menos me olhou. Porém sempre que podia, suspirava alto em significado de que não me queria ali.

Assim que entramos na loja, ela já ia de um lado para o outro olhando móveis e mais móveis. Ela fazia as coisas tão rápido que mal dava para aproveitar, ela nem curtia o que estava fazendo. Ela era muito enjoada, tão enjoada que quando eu achava que escolheria algo, ela desistia e pulava para outro.

- Ei, vai devagar. - Parei na frente dela.

- Sai da minha frente, eu tenho que terminar isso hoje e ainda não encontrei nada. - Me empurrou.

- Quer ajuda?

- Não. - Falou arrogante.

- Ok. - Respirei fundo e continuei a segui-la.

Acabou que andamos por todos os cantos da loja, mas nada encontramos. Bom, nada ela encontrou já que eu só estava lá de enfeite. No final, fomos embora sem nada.

Só não voltamos para a casa de Sarah pois no meio do caminho, ela nos ligou dizendo que ela e Josh estavam indo até uma consulta ao médico.

Poderíamos sim ter ido novamente a terapia de casais, mas estávamos cansados demais para isso.

No dia seguinte, logo que me levantei já pude ver um e - mail com o endereço de Celeste. Ótimo, mesmo sem ir ela ainda pode mandar em nós.

"Dica do dia: Não pensem apenas em si mesmos, mas se lembrem: vocês são um. Procurem não discutir, sempre resolvam as coisas com uma conversa civilizada. É importante que sempre procurem o bem-estar daquele que quer o seu."

- Como se ela quisesse o meu bem-estar... - Falei revirando os olhos.

Cheguei apenas a tarde na casa de Sarah por alguns problemas com a empregada. Quando entrei no quarto da reforma, vi que (Nome), Josh e ela conversavam seriamente sobre algo que parecia importante.

- Boa tarde, desculpem o atraso. Eu tive alguns... - Antes de eu terminar a fala, Sarah me interrompeu.

- Que bom que chegou. - Me aproximei. - Por favor, convença ela! - Me olhou suplicando.

- Convencer de que?

- Bom, é que na verdade é uma menina...

A olhei surpreso e impressionado.

- Uma menina? Parabéns. - Sorri.

- Obrigada. - Riu, estava claro que ela estava ainda mais feliz.

- Mas então... por que tenho que convencê-la?

- Ela disse que não dá para planejar o quarto novamente dentro do prazo. Justin, por favor faz ela mudar de ideia!

A olhei confuso.

- É claro que dá. Faremos o possível.

- Justin! - (Nome) me olhou nervosa. - É muita coisa para fazer em tão pouco tempo!

- Não precisa se preocupar, eu te ajudo. - Olhei para ela por um tempo.

- Isso, ele te ajuda! Por favor... - Sarah implorou de mãos juntas para ela.

- Ok. - Revirou os olhos.

- Ótimo, obrigada! Amo vocês! - Sarah se animou.

(Nome) sorriu, mas eu sabia bem que ela me mataria mais tarde. Ela só não havia me aniquilado ali por conta dos clientes, pois caso contrário eu já estaria estirado no chão.

Mesmo contra a vontade dela, nós concordamos em fazer esse projeto assim que saíssemos da casa de Sarah, e isso não demorou a acontecer. Já no começo da noite, saíamos da casa.

- Eu queria tomar um banho antes, acho melhor eu ir para casa primeiro. - Falou ela enquanto íamos em direção aos carros.

- Não, você demora demais. - Entrei no meu carro.

Quando chegamos com respectivos carros no meu apartamento, subimos. Ela me olhava desconfiada e sempre que podia, me olhava feio. Lá vem ela... Destranquei a porta e a abri.

- Bem-vinda. - Sorri a dando espaço para entrar.

- Tanto faz, vamos terminar isso logo. - Revirou os olhos.

- Tudo bem... - Olhei para baixo, mas eu não iria desanimar.

Fechei a porta e ela ficou me olhando. Cruzou os braços e revirou os olhos, de novo.

- Não vai me convidar para sentar?! Meu Deus, agora sei porque ainda não arrumou ninguém...

Foi minha vez de revirar os olhos, como ela era chata.

- Para de frescura e senta logo! - A empurrei no sofá.

Você

Comecei o projeto logo, sem enrolação. Justin me tirava do sério muito fácil, então antes que isso ocorresse, eu queria estar mais ocupada possível.

- O que acha de um quarto lilás? - Se sentou ao meu lado colocando folhas a3 em cima da mesa de centro.

- Parece interessante. - Me afastei um pouco antes de continuar. - Mas acho que seria melhor se as paredes fossem em um cinza claro com decorações em rosa.

- Por mim, sem problemas.

Ele fala como se eu precisasse da permissão dele para fazer alguma coisa. Continuamos a planejar móveis e cores, estava um pouco menos entediante do que eu me lembrava. Ele parecia estar gostando da ideia de me ajudar, mesmo que suas ideias não fossem tão bem aceitas.

- O que acha de colocarmos um adesivo de uma árvore grande? - Me olhou esperançoso.

- É uma ótima ideia! - Me surpreendi animada. - Ela poderia ser inteiramente branca para contrastar com o papel de parede.

- Sim. - Concordou ele.

Sorri e comecei a anotar no papel as ideias que já tinha em mente. Logo eu começaria com os desenhos.

Enquanto eu fazia uma breve anotação importante, percebi um movimento estranho. Olhei instintivamente para o lado e vi que ele desabotoava a camisa social que usava deixando seu peito a mostra. Preferi não dizer nada, apenas voltei as anotações.

- Então... - Olhei para baixo o evitando. - Em que tipo de árvore você se refere?

- Bom. - Pulou do meu lado se sentando quase em cima de mim para alcançar os papéis na pequena mesinha e pegou um lápis. - Talvez uma árvore de outono com poucas folhas e outras ao vento. - Começou a desenhar enquanto metade de seu corpo me apertava contra o sofá.

- Ahn, parece bonita. - Tentei me afastar, mas eu já estava na ponta do sofá e o braço do mesmo me impedia. 

- O que achou? - Me olhou assim que finalizou o desenho da árvore.

- Bonita... - Foi a única coisa que consegui dizer.

Ele me encarou e riu fraco. Percebeu que fiquei sem graça.

- Continuando... - Falei tentando disfarçar, mas não funcionou. Então fui direto ao ponto. - Pode abotoar isso? - Apontei brava.

- Estou te distraindo? - Sorriu malicioso.

- Abotoa logo. - Desviei o olhar, mas logo ele voltou.

- Não. - Tirou a camisa e a jogou longe. - Se controle. - Riu ele sarcástico.

Claro, aquilo poderia sim ser uma visão normal. Isso se eu não estivesse tanto tempo sem sexo.

- Cala a boca. - Revirei os olhos.

- Que tal você fazer isso por mim? - Mordeu o lábio inferior e automaticamente um arrepio gélido passou pela minha espinha.

- Justin... - O olhei em aviso.

- Ótimo, agora diz isso gemendo. - Cerrou os olhos com um sorriso safado no rosto.
Ele se aproximava descaradamente de mim.

- É sério, chega. 

O empurrei e me levantei do sofá. Porém antes que eu me desse conta, ele já havia puxado o meu braço me fazendo cair no colo dele. Ele apenas se deu o trabalho de me colocar sentada com uma perna de cada lado de seu corpo.

- Você enlouqueceu?! Para com isso agora! - Gritei exasperada.

- Pare você de fingir que não está afim. Você é uma garota esperta, me ataca de uma vez e para com essa frescura toda. - Beijou meu pescoço e permaneceu ali por um tempo.

- Justin, por favor... - Respirei fundo tentando manter o controle. - Para...

- É só sair, não estou nem te segurando. - Pausou a língua no meu pescoço por um tempo, mas logo retomou o ato.

Aquilo era uma grande armadilha. A língua dele em meu pescoço era como uma algema que me impedia de sair dali. A minha mente dizia que não, mas meu corpo mal podia responder, quem dirá obedecer. As mãos dele passavam por todos os cantos do meu corpo e não paravam em lugar nenhum.

Lentamente, minhas mãos foram subindo por seus ombros e logo eu já estava o estimulando para que continuasse. Eu não conseguia parar. Por mais que eu tentasse recolocar em minha mente que ele era um cretino, safado e cachorro, eu não conseguia pausar aquilo de maneira alguma.

- Ah, como senti sua falta... - Ele disse subindo beijinhos pelo meu queixo.

Eu odiaria admitir em voz alta, mas eu estava adorando aquilo. Eu me sentia bem outra vez.

Abri lentamente os olhos para observá-lo, mas meus olhos atingiram outra coisa. Atrás do sofá havia uma mesa, e nessa mesa eu podia ver um papel com a minha famosa assinatura. Era o meu projeto.

- Eu não acredito nisso, foi você! - O empurrei assim que ele chegava perto de meus lábios.

- O que? - Falou confuso.

- Você pegou o meu projeto! - Me levantei e fui até lá pegar o papel. - Como não suspeitei? É claro que foi você!

- Espera, eu tenho uma explicação.

- Ela não me interessa! Nada vai justificar o fato de você ter roubado isso de mim! Achou que eu não notaria? O que você queria? Mostrar isso para Sarah e dizer que era seu? Quer roubar meu emprego?!

- Não! Me deixe explicar primeiro! - Se levantou e veio até mim.

- Por que você pegou isso?! - Gritei.

- Por que você fez isso, hein? Por que tem uma pasta escondida cheio deles?

- Isso não é da sua conta!

- Mas é claro que é, isso foi feito há nove meses atrás! Ainda éramos casados, você me deve uma explicação!

- Não devo, me deixe em paz! - Tentei fugir, mas ele me pegou.

- Me diz! Por que você esconde isso? Por que isso tem vários nomes escritos atrás?!

- Justin, me solta! - Gritei desesperada.

Eu não aguentaria por muito tempo, as lágrimas já estavam a descer.

- Por que você me deixou, (Nome)!? - Me chacoalhou.

Fechei os olhos.

- Porque eu sou infértil! - Gritei e abaixei a cabeça.

Ele se calou e ficou me olhando surpreso, sem voz, sem palavras.

- Você é o que? - Continuou pasmo.

- Eu sou infértil, não posso. - As lágrimas não paravam e eu não conseguia

- Mas como...? Como você pode ter certeza que é você? Pode ser eu, (Nome)...

Respirei fundo, o levei até o sofá e nos sentamos. Respirei fundo de novo, e de novo.

- Acontece que eu já tive três abortos consecutivos. - Olhei para seu rosto e ele parecia assustado, ele estava arrasado. - E quando se tem tantos abortos consecutivos, é considerado como habitual. Ou seja, eu não posso aguentar uma gestação. E isso me torna infértil.

Ele segurou as minhas mãos.

- Tratamentos, nós podíamos...

- Fui proibida. - Fechei os olhos. - O médico me alertou que eu já estava correndo risco de vida e se tentasse novamente, poderia não ter uma próxima.

Ainda com os olhos fechados, eu sentia as lágrimas andarem.

- Mas por que você me deixou? Eu nunca deixaria de te amar só por uma incapacidade sua. Você é a minha mulher, estamos juntos na saúde ou na doença, se esqueceu?

Respirei fundo e finalmente abri os olhos aponto de ver os dele marejados.

- Sabe o quanto foi difícil? Você tem ideia do quanto sofri? Tem noção do que é ver um sangue escorrer e saber que não é o seu? Eu tenho. Eu me sentia desesperada, eu me sentia morta. Todas as vezes em que discutíamos esse assunto, eu queria fugir, mas sabia que uma hora teria de contar. Sei bem que errei, mas eu só queria te proteger. O meu coração quebrava, eu me sentia uma enganadora, uma mentirosa. Sei bem o quanto me machucou e também sabia que iria te machucar ainda mais. Não me entenda mal, mas foi loucura. Acha que eu não via seus olhos brilharem todas as vezes em que passávamos em um parque ou até mesmo em uma loja infantil? Por mim, teríamos dois filhos, seríamos felizes e tenho certeza que também seríamos bons pais. Mas não foi o que aconteceu... Eu te amo muito por mais que não tenha demonstrado nesses meses, mas você sempre soube. Meu amor me perdoe, mas foi a melhor solução que encontrei para nós dois, e tenho certeza que... não mudei de ideia.

Ele fechou os olhos por um breve momento, e uma solitária lágrima se escorreu em seu rosto.

- Se permita tentar, não podemos trocar tudo que tivemos! - Me olhou esperançoso. - Eu nunca deixei de te dizer, você sabe! Você foi a melhor coisa que já me aconteceu!

- Você conhece aquele famoso ditado, "Quando você ama uma pessoa, tem que deixar ela ir". Eu quero que você seja feliz, quero que construa uma família. Comigo, isso nunca vai ser possível.

- Você se esqueceu do resto do ditado. "Se um dia ela voltar, sempre foi sua, senão, nunca foi". Eu nunca saí do seu lado, ainda levo a sério nossos votos. É até que a morte nos separe.

- Sabe que se eu continuar tentando engravidar, é isso que vai acontecer, não sabe?

- Eu não preciso de filhos para ser feliz. Você é a minha felicidade.

- Eu adoraria acreditar, mas você sabe que isso faz parte de uma vida de casal. Um dia, as coisas ficarão tediosas quando perceber que não temos crianças para nos enlouquecer. Eu não quero adiar o sofrimento, apenas aceite. Eu não sou a mulher certa.

- (Nome)... - Soltou mais uma lágrima.

- Meu amor, eu não posso.

- Não faz isso comigo... - Segurou meu braço quando me levantei.

- Eu te amo... - Passei os dedos em seu rosto num gesto de carinho.

Andei até a porta e a abri, porém, antes de ir embora, olhei para ele. Ele me olhava com súplica, em pedido de piedade. Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto estava ainda mais molhado, ele me encarava na espera de uma desistência de decisão, mas eu não pretendia voltar atrás.

Eu estava prestes a fechar a porta, quando vejo de seus lábios sair um "Eu te amo, Sra. Bieber" quase inaudível e logo depois uma expressão. Sorri fraco e finalmente fechei a porta. 

Assim que cheguei perto de meu carro, cheguei ao meu limite. Lágrimas de puro sofrimento escorreram livres sobre a minha face, eu não queria, mas era a coisa certa. Eu queria muito vê-lo feliz, e acabei por perceber que isso custaria a minha felicidade. Mas por ele valeria a pena. Aliás, nem toda história de amor pode ter um bom final.

Eu sabia bem que estava deixando o homem da minha vida naquele prédio, mas se eu realmente o amava, teria que deixá-lo ser feliz. Comigo ou sem mim.

FIM?




Meu Deeeeeus!!!! Eu amo essa história do fundo do meu coração sertanejo! 
(Não, eu não ouço sertanejo).

Mas, enfim... Para quem não compreendeu o motivo do suspeito ponto de interrogação, eu posso explicar: Para aquelas que querem um final alternativo, aquelas que preferem um final menos trágico, aconselho que leiam o próximo "capítulo". Sim, teremos um BÔNUS na história! Finalmente! Espero que tenham curtido essa história como eu e para quem lerá o resto, boa sorte. Beijos de diamante <3 #


Destiny (Justin Bieber) - Capítulo 6



Acordei antes dela. Provavelmente foi tomada pelo cansaço e preferiu ficar na cama por mais tempo. Resolvi pedir o serviço de quarto, e assim que terminei o banho, bateram na porta. 

- Oi. - Sorri fraco, aquela vadia já estava me irritando. 

- E aí? - Ela piscou. 

- O que você quer? - Revirei os olhos. 

- O que você acha? - Olhou para o meu corpo. 

Ah, ótimo dia para atender a porta de toalha seu arrombado.

- Eu estou ocupado, diz logo o que você quer. 

- Talvez algo que você vê no espelho todos os dias. - Mordeu os lábios. 

- Porra. - Eu já estava irritado. 

Eu estava começando a ver porque (Nome) tinha razão. Ela podia ser gostosa, mas era completamente grudenta e irritante. Aquela mulher estava me causando náuseas, coisa que eu nunca havia tido. 

- E então? O que acha de irmos no meu... - Ela iria terminar aquela proposta, mas foi interrompida. 

- Justin, aonde você jogou o meu sutiã? - (Nome) apareceu ao meu lado na porta vestida apenas com uma das minhas blusas e uma calcinha. 

- Ahn? - Olhei completamente confuso para ela, mas aí entendi. 

- É, o meu sutiã! - Em seguida, olhou pra Lisa. - Agh! Ele sempre teve essa mania de jogar as minhas roupas ferozmente pelo quarto, sempre desesperado para começar logo. Ontem mal fomos as preliminares, apressado! - Olhou para mim sorrindo. Ah, como era falsa. 

- Ah, foi mal. - Ri. - Não consegui me segurar, você estava muito gostosa. 

- Querido, na frente das visitas não! - Me deu um tapa.

Eleanor me olhou confusa. 

- Achei que fossem separados... 

- É que as vezes cometemos uns pecados... sabe? - (Nome) sorriu. - Temos coisas para fazer, até mais! Tchau, não volte. - Bateu a porta na cara dela. 

Ela foi até a cama e se jogou novamente. 

- O que foi isso? - Me aproximei dela rindo.

- Achei que precisava de uma forcinha para dispensa-la. - Sorriu.

- Bela jogada. - Deitei ao seu lado. - Eu nunca pensaria nisso. 

- Eu sei, sou uma ótima ex-mulher. 

- É, é mesmo. - A olhei. - E você fica ótima nessa blusa. 

- Ah, obrigada! - Riu. 

- Mas você mentiu feio em uma das coisas. 

- Serio? O que? - Me olhou confusa. 

- Eu nunca dispensaria preliminares. 

- É, isso me irritava muito. - Revirou os olhos. 

- Não tenho culpa, você sempre foi muito afobada. Já queria que eu te... 

- Sem detalhes! - Fez sinal de pare com as mãos e me fez rir. 

Ela riu e olhou para o teto. 

- Justin, vamos passear hoje? - Me olhou animada. - Quero ver a torre e conhecer um pouco mais a cidade. Da última vez não vimos quase nada! 

- Tudo bem, vou me trocar. - Me dei por vencido. Aliás, eu também queria ir. 

Quando terminei de me arrumar, saí do banheiro e vi que ela estava em frente ao espelho finalizando com um de seus perfumes favoritos. Ela estava linda, completamente maravilhosa. 

Caminhávamos lado a lado em silêncio. Ela dava atenção a linda paisagem enquanto eu a observava discretamente. Talvez fosse complicado admitir, mas eu sentia falta dos velhos tempos. Dos nossos velhos tempos. Sei que éramos felizes, mas agora tudo mudou e eu terei que me acostumar com isso. Sempre achei que quando eu assinasse os papeis do nosso casamento, nossa vida junta duraria mais do que quatro anos e três meses. As coisas aconteceram tão rápido, não queria que as coisas acabassem assim. 

Assim que chegamos próximo a grande Torre Eiffel, os olhos dela brilharam como da primeira vez que estivemos em Paris. Aqueles olhos que me hipnotizavam e me faziam ceder a qualquer coisa, eram lindos. Era por eles que eu havia me apaixonado, era por aquele olhar.

- Justin! - Ela me chamou me despertando dos devaneios. 

- O que foi? - A olhei assustado. 

- Tira uma foto comigo. - Sorriu. 

- Ah, ok. - Falei um pouco confuso. 

Ela virou a câmera frontal de seu celular e tirou. 

- Ficou ótimo. - Riu.

Logo que voltamos a andar, os devaneios voltaram me deixando cada vez mais vulnerável. O parque estava cheio e pessoas passavam por todos os lados. Casais e crianças. Ah, como a vida adorava jogar isso na minha cara... 

- Quer almoçar? Acabei de ver um restaurante. - Falei assim que percebi que o meio dia nos alcançava. 

- Pode ser. - Aceitou. 

[...] 


- Own, ele me deu uma rosa! - Pronunciou contente. 

Havíamos acabado de nos afastar de um mímico. 

- Você queria um namorado e ganhou um mímico. - Falei risonho. 

- Ha - ha - ha! Engraçadinho. - Disse sarcástica. 

Eram quase seis horas, o céu estava quase escurecido por completo. Quase não haviam estrelas no céu, mas continuávamos andando. 

- Oh - meu - Deus! - Falou pausadamente assim que parou de andar. 

- O que foi? - Olhei confuso. 

- Justin, nós estamos no Rio Sena. - Disse surpresa. 

- Eu conheço esse lugar, foi aonde trancamos nosso cadeado. - Me referi a Ponte dos Cadeados onde pisávamos. 

Ela ficou calada olhando algumas pessoas que passavam por ali, estava muito atenta. Ao fazer o mesmo, vi que ela observava um casal que acompanhava duas crianças. O rapaz se abaixou até as crianças e pude ouvi-lo falar: "Há nove anos atrás, eu e a mamãe trancamos um cadeado nessa ponte em símbolo do nosso amor e até hoje estamos juntos." 

Suspirei, aquilo era bobagem. Para comprovar, bastava apenas olhar para mim e (Nome). Uma ponte não garante amor eterno, ninguém garante. 

Olhei brevemente para (Nome) e percebi que ela não estava bem. Seu olhar estava parado e uma expressão decepcionante tomava conta de seu rosto. Ah, ela havia voltado ao passado. Estava lembrando de quando éramos nós ali, realmente acreditamos que daria certo. 

- Vamos, já está tarde. - Coloquei uma das mãos em seu braço. 

- Foi um erro. - Riu sem humor. 

- O que? - Perguntei confuso. 

- Nós fomos um erro, Justin. - Vi seus olhos marejados. - Olha para nós, acha mesmo que valeu a pena passar por tudo isso para depois seguirmos rumos opostos? 

- Só não deu certo, não significa que fomos um erro. Eu fui feliz com você e não me arrependo. - Me posicionei em sua frente. 

- Mas eu sim. - Suspirou e confesso que aquelas palavras foram como agulhas me atingindo. - Me arrependo de ter cruzado o seu caminho, Justin. Não valeu de nada passarmos por tantas alegrias se agora elas não significam mais nada. Eu já abri os meus olhos, faça o mesmo antes que se magoe mais. 

- Eu ainda tenho esperanças para nós, (Nome). 

- Não existe mais nós Justin, nunca existiu. - Se soltou de minhas mãos e começou a andar de volta para o hotel.


- (Nome)... - Chamei, mas ela estava longe demais para ouvir. 

Preferi deixá-la ir, ela precisava de um tempo. Ou talvez de muitos. Depois de um longo tempo, voltei ao hotel e percebi que ela já dormia. Talvez eu já soubesse que ela me odiava ou tinha certa repulsa por mim, mas nunca imaginei que ela se sentia arrependida de ter me conhecido. Aliás, o que fiz de tão grave a ponto de merecer todo esse rancor? 

- Bieber? 

- Diga, Nick.

- Talvez eu esteja muito em cima com esse aviso, mas a empresa que os contrataram precisam do projeto para amanhã após o almoço. Estão prontos? 

Eu estava na sacada enquanto o vento gelado me castigava. 

- Claro. - Suspirei olhando em direção ao sofá. 

- Você não me engana, o que aconteceu dessa vez? 

- Problemas, como sempre. - Suspirei e passei as mãos pelo cabelo nervoso.

- Bom, assim que voltarem terei uma seria conversa com vocês dois. Preciso ir, até logo. 

Não tive motivos para continuar acordado, então fui direto para a cama e me rendi ao sono.